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9 de maio de 2019

Figueira da Foz será um dos palcos da Greve Climática Estudantil no próximo dia 24 de Maio




Portugal assinalou uma Greve Climática Estudantil com mais de 25 concentrações no passado dia 15 de março. E no próximo dia 24 de maio, estão marcadas mais concentrações, entre as quais, uma delas na Figueira da Foz.


Este é um protesto inspirado pela adolescente sueca Greta Thunberg, que começou por promover manifestações semanais em nome ao combate às alterações climáticas, não indo às aulas às sextas-feiras, a qual justificou os seus atos com a seguinte frase: “Há quem diga que devia estar na escola: mas por que hei de me preparar para um futuro que pode não existir?”

A nova greve climática estudantil está então marcada para 24 de maio, e conta com jovens dos quatro cantos do planeta que voltam a sair à rua para lutar pelo ambiente, e também na Figueira da Foz, numa iniciativa que envolve todos os agrupamentos escolares e sem qualquer tipo de ligação partidária associada ao evento. A FOZ AO MINUTO falou com Mafalda Azevedo, uma das promotoras do evento, que nos explicou como surgiu a ideia e quais as expectativas:

FOZ AO MINUTO: Como é que surgiu este movimento também na Figueira da Foz, como é que as pessoas envolvidas decidiram avançar com esta iniciativa?


Mafalda Azevedo: É um movimento internacional que começou com uma greve isolada de uma estudante na Suécia, à qual se juntaram estudantes por todo o mundo, e também em Portugal no dia 15 de Março houve adesão de várias cidades, até porque as alterações climáticas também afectam Portugal, naturalmente essa adesão foi feita com maior adesão em Lisboa, Porto e Coimbra, mas não só, até uma pequena localidade como Reguengos de Monsaraz fez parte da iniciativa e a Figueira não esteve no mapa, e achei que fazia todo o sentido, tendo em conta que a Figueira além de ter uma dimensão considerável e um numero alargado de jovens, teve a particularidade de ter sofrido, recentemente, os efeitos da tempestade "Leslie". 

E foi, precisamente, no dia a seguir ao Leslie que os jovens mostraram o seu interesse neste tipo de causas, ao de forma voluntária se envolverem em iniciativas de limpeza e reconstrução da cidade, e mostrando assim a sua disponibilidade.

Além de mim, o outro responsável pela iniciativa é o Rui Baião, e para conseguirmos que esta greve climática estudantil tenha dimensão, contactamos todas as Associações de Estudantes do nosso concelho (profissionais e secundárias) e todas aderiram e estamos assim todos coordenados para esta iniciativa.

FOZ AO MINUTO: Apesar de ser uma manifestação, organizada a nível mundial, com um objetivo comum,  e de já ter sido feita referência ao Leslie, a Figueira da Foz sofre também bastante com o problema da erosão costeira, como por exemplo tem sido o problema no 5.º molhe, como é que esta manifestação pode ter efeito, quer a nível de autarquia local, e nível político nacional?


Mafalda Azevedo: A melhor forma destes problemas terem impacto, não só na nossa região, como a nível nacional, acaba por ser sempre o testemunho que podem dar, e os jovens figueirenses, podem dar um grande testemunho, tanto pelo problema que houve em 2013 como agora mais recentemente pelo Leslie, e a única coisa positiva nisto foi que as pessoas acordaram, e há uma consciência que o pesadelo não está previsto para 2050, mas já começou.

A erosão costeira é um problema grave e preocupante, ainda há dias falei com um jovem da freguesia de São Pedro, que diz que há medo que a água chegue às casas,  e isso são coisas profundamente marcantes. Há ainda a qualidade do ar, que também é um problema da zona sul do nosso concelho, e essa sensibilidade é uma mais valia para o papel das revindicações justas.

FOZ AO MINUTO: Em todas as manifestações, há sempre pessoas ou instituições a quem é apontado o dedo, quem são os responsáveis pela situação atual, e que penalização deveriam ter?

Mafalda Azevedo: Neste caso em concreto é difícil apontar o dedo a alguém, porque isto é aquela velha história do "somos todos culpados e ninguém é", mas é evidente que há pessoas com mais responsabilidades do que outras. Se tivermos a falar de uma empresa americana petrolífera que paga a um presidente para ele dizer publicamente que as alterações climáticas são um mito, então estamos perante um culpado. Mas creio também ser fruto do desenvolvimento da própria sociedade, e da responsabilidade de todos, uma vez que os níveis de consumismo e massificação dos transportes particulares são totalmente diferentes do século passado.

É importante que todos nós cidadãos e agentes de transformação possamos pressionar o poder politico e os grandes grupos económicos para alterar o que acontece na realidade.


FOZ AO MINUTO: O Acordo de Paris e as metas impostas pela União Europeia são suficientes desde que sejam cumpridos, ou são necessárias mais alterações?


Mafalda Azevedo:  Tanto o acordo de Paris como as metas estabelecidas pela União Europeia são muito importantes e devem ser cumpridas, mas não são suficientes, e há uma revindicação nossa, até a nível nacional, sobre os estados se comprometerem com a neutralidade carbónica, que não é nada mais nada menos do que alcançar o mesmo número de CO2 daquelas que é possível filtrar. A meta que se aponta para atingir esta neutralidade carbónica é o ano de 2050, e quando se começou a negociar o Acordo de Paris, o maior emissor de gases os Estados Unidos fazia parte da negociação, mas hoje já não fazem parte dessa conjuntura, e parece pouco realista, que não se aumente mais de 1 grau e meio da temperatura global até 2050.

E os estudantes portugueses querem um compromisso, com o governo português, para que a nossa meta em Portugal seja atingida em 2030 e não em 2050. Depois há outras fragilidades do mesmo acordo, dos países desenvolvidos se terem comprometido a dar apoio aos países em desenvolvimento para estes reduzirem a pegada carbónica, e só a Europa tem feito um esforço nesse sentido.  E apesar de não ser o ideal (por isso existem estas manifestações) em comparação com outros emissores noutros continentes temos uma situação mais positiva.

Há ainda a questão dos plásticos, que foi esquecida no acordo de Paris, que é uma preocupação legitima que deveria ser contemplada também nas metas da União Europeia.


FOZ AO MINUTO: Em março havia o objetivo de serem ouvidos pelo Ministro do Ambiente, agora além do Ministro do Ambiente, também contam com o novo secretário de Estado do Ambiente para ajudar nesta luta?

Mafalda Azevedo: O próprio objectivo do movimento passa por mais do que consciencializar as pessoas, conseguir propostas concretas e medidas efectivas, e passa pelo assumir deste compromisso do governo destes mesmos objectivos, e  acabar com conflitos entre economia e ambiente, porque ambos são prioritários.

Conseguiu-se em Março falar com o Ministro do Ambiente, uma conversa positiva em alguns sentidos,  mas não foi o suficiente para nós e há uma série de compromissos que ainda não foram tratados, e por isso aderimos a nova greve.

Em relação ao novo secretário de Estado do Ambiente, penso que ele sempre soube auscultar aquilo que são as justas preocupações e justos anseios da população e espero que esteja sempre disponível para conversar e assumir novos compromissos, e que mantenha a mesma linha daquilo que foi a sua forma de estar como Presidente do Município da Figueira da Foz.


FOZ AO MINUTO: Existe algum objetivo em específico para a Manifestação na Figueira da Foz, desde já algum número de estudantes que tenham como meta de alcançar?


Mafalda Azevedo: Temos expectativas que corra tudo muito bem, e como tal tentamos mobilizar todas as associações de estudantes, vai ser a primeira greve estudantil na Figueira  da Foz no espaço da última década,  e será uma iniciativa diferente. Não queremos dizer nenhum número em específico mas comparando com outras cidades e localidades temos margem de manobra para atingir as 500 pessoas ou mais, mas isso depende de vários factores.


FOZ AO MINUTO: Existe um desejo de transição energética, o que acham que pode ser feito a curto médio e longo prazo nesse sentido, e que parte da mudança acham que depende apenas de Portugal ou das autarquias?

Mafalda Azevedo: Em Portugal a produção elétrica tem de ser assegurada por energias renováveis, e é para nós completamente inconcebível, e foi uma das revindicações que apresentamos junto do Ministro do Ambiente, que tenhamos a Central de Sines e a Central do Pego a funcionar a carvão ainda hoje, e temos também aqui perto uma Central Eléctrica que funciona a gás natural, que embora não seja tão poluente, também o é em relação às energias renováveis. E temos de apostar cada vez em energias renováveis, e temos condições impares para a energia solar,  e as autarquias podem fazer investimento nestas áreas.

A Figueira da Foz tem condições ímpares para uma aposta mais significativa de energia eólica.

FOZ AO MINUTO: Até onde irá esta luta, haverão outro tipo de ações e manifestações? 

Mafalda Azevedo: Irão até vermos que a situação está bem encaminhada, e já vimos que estamos longe daquilo que é desejável para nós, como tal só iremos parar quando virmos isso. E queremos continuar a pressionar governo e empresas, e deverão vir mais momentos de revindicação por parte dos jovens, que provavelmente sairão à rua em Novembro, quando for a nova Cimeira do Clima que irá realizar-se no Chile. O futuro dos jovens não é negociável e esta é a mensagem principal que queremos transmitir.


FOZ AO MINUTO: Este pode ser o maio de 68 do século XXI? Não a nível da luta pelos direitos humanos, mas sim na consciência ambiental, que se tem perdido?


Para nós seria muito positivo que assim fosse, porque o Maio de 68 foi um momento de ruptura que começou em Paris e teve impacto em todo o mundo, e este também está a ter impacto a nível mundial, agora vamos esperar para ver se terá os resultados que pressionamos. Em Maio de 68 foi bastante profícuo e foi muito bem sucedido e a nossa esperança é que o mesmo se repita.





A Nova greve climática estudantil está marcada para 24 de maio com ponto de encontro em frente á Câmara Municipal da Figueira da Foz.

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