Associação Portuguesa de Sono defende abolição da mudança horária e permanência na hora de inverno




Com a chegada da mudança da hora no próximo fim de semana, a Associação Portuguesa de Sono (APS) vem manifestar que partilha da aprovação do Parlamento Europeu, de que seja abolida a mudança de hora bianual, e que defende a permanência do horário padrão, o chamado horário de inverno. 

Tendo em conta os estudos científicos existentes e pesando vantagens e inconvenientes, a APS considera que a permanência no horário padrão tem efeitos benéficos para a saúde física e psicológica, com eventual repercussão sócio-económica positiva.

 
Estudos demonstram que a mudança para o horário de verão tem diversos problemas a curto prazo: sono mais curto, pior desempenho profissional e escolar e maior frequência de acidentes cardio e cerebrovasculares e de acidentes de viação.
 
A longo prazo, há uma maior propensão para cancro, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas (como a Alzheimer), redução da imunidade e compromisso psicopatológico.
 
O sono de crianças, adolescentes e jovens adultos também fica afetado com o avanço diário de uma hora, podendo manifestar-se dificuldade no adormecimento de algumas crianças enquanto ainda é dia; agravamento da tendência para deitar mais tarde durante a adolescência; consequente tendência à redução do tempo de sono noturno durante os dias de aulas e aumento de compensação ao fim de semana (incremento do jet lag social).
 
A poupança energética, a primitiva justificação para a mudança da hora, não se tem revelado com peso suficiente (resultados frequentemente muito discutíveis) para contrariar os efeitos negativos do acréscimo anual de uma hora ao longo de, pelo menos, sete meses do ano.

Assim, a APS defende a adoção permanente do horário de inverno por apresentar mais vantagens, como mais luz natural ao início da manhã com efeitos benéficos para o ritmo de sono-vigília, pelo maior alinhamento com o ciclo natural luz-escuro (maior facilidade em adormecer e acordar, atenuação do jetlag social); melhoria do desempenho profissional e escolar, melhoria da saúde mental, redução do risco da doença física (cancro, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, problemas da imunidade); redução de risco de acidentes e provável repercussão positiva para a economia.

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