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16 de julho de 2019

Pastel de Tentúgal quer estar na final das 7 Maravilhas Doces de Portugal





O Pastel de Tentúgal é um dos sete finalistas da fase distrital de Coimbra das “7 Maravilhas Doces de Portugal”. A candidatura da Junta de Freguesia de Tentúgal está empenhada em estar na final do concurso que, este ano, se realiza em Montemor-o-Velho, a 7 de setembro. O Pastel de Tentúgal quer ser a cereja no topo do bolo e coroar Tentúgal e Montemor-o-Velho como um destino gastronómico e patrimonial de excelência, isto depois do concelho ter sido eleito como uma das “7 Maravilhas à Mesa de Portugal” em Albufeira, em 2018. Dos 907 candidatos, apenas 140 integram a lista reduzida a sete doces por distrito e região autónoma. As finais distritais estão a ser votadas pelo público e o distrito de Coimbra está em votação até 23 de julho, dia do programa da RTP em direto da cidade de Coimbra, de onde vai apenas sair um semifinalista. 

O Pastel de Tentúgal conta com o apoio de Dom Ximenes Belo, bispo residente e administrador apostólico da diocese de Díli (Timor-Leste) entre 1983 e 2002. O Prémio Nobel da Paz (1996) é o padrinho do doce e tem marcado presença em inúmeros momentos importantes tanto da vila de Tentúgal como do próprio Pastel de Tentúgal. Já José Craveiro, mais conhecido por Zé do Arménio, é o fiel depositário da grande herança do convento e grande embaixador do património de Tentúgal por todo o mundo. O mestre de saberes e de sabores da sua terra e do Baixo Mondego está encarregue de apresentar o Pastel de Tentúgal durante o concurso. 

Este doce, com origem no Convento de Nossa Senhora do Carmo, fundado em 1565 e habitado pela Ordem das Carmelitas de Portugal até 1898, tem a Indicação Geográfica Protegida (IGP) concedida pela União Europeia em 2013. Este doce inigualável serviu durante séculos não só como oferenda aos visitantes, também como pagamento de alguns préstimos de serviços, mas sobretudo de remédio para as maleitas dos mais desfavorecidos que iam ao convento buscar o conforto do estômago, acalmia das suas amarguras e sobretudo a cura para muitas anemias. A última freira a habitar o convento, D. Maximina do Loreto, ensinou o saber fazer dos pastéis às senhoras de Tentúgal que foram transmitindo esse saber fazer de geração em geração. Diz-se até que os pastéis de Tentúgal são o único doce que não é possível ensinar através de receituário, uma vez que só se aprendem a fazer… fazendo! 


O Pastel de Tentúgal resulta da junção da massa, apenas feita a partir de farinha amassada com água, com o recheio que resulta da mistura de ovo com uma calda de açúcar. Apresenta-se sob a forma de “palito” ou sob forma de “meia-lua”, sendo que o pastel “palito” é o mais conhecido. A confeção do Pastel de Tentúgal contempla várias fases: começa sempre com a massa, que é esticada com mãos delicadas, exclusivamente de senhoras, que consecutivamente vão ao bolo da massa dar “um puxão” e em apenas alguns minutos passamos de um bolo de massa amorfo para a magia do folhado, de tal forma fino que é quase transparente. As mesmas mãos delicadas apanham o folhado, folha após folha, com a paciência de um santo e a suavidade de um anjo. O recheio é efetuado a partir da calda em “ponto pérola” ao qual se juntam os ovos e as gemas, cuidadosamente, mexendo sempre, de forma aos ovos não “talharem” e até que se obtenha o aspeto grumoso e consistente característico do recheio do pastel de Tentúgal. O processo de “armar” o pastel consiste na junção do folhado com o recheio, que se enrola e que se fecha de ambos os lados com o formato de cristas. Para finalizar passa-se no pastel uma pena embebida em manteiga. O pastel de Tentúgal está agora pronto para ser cozido e posteriormente saboreado.

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