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29 de novembro de 2017

Revisitar a obra de Manuel Filipe até no Museu Municipal Santos Rocha


CULTURA


O Museu Municipal Santos Rocha (MMSR) tem patente, até abril de 2018,  a exposição “Revisitando Manuel Filipe: A Reserva da Família | A Reserva do Museu Municipal Santos Rocha”. A entrada - para esta que é uma viagem à vida e obra do pedagogo pintor e, também, uma incursão no Portugal e no Mundo do século passado, com destaque para as décadas de 1940 a 1980 - é livre.


Na abertura da mostra, que teve lugar no sábado, 25 de novembro de 2017, na sala de exposições temporárias do MMSR, o Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, João Ataíde, usou a palavra para agradecer à Câmara Municipal de Condeixa, representada pela vice-presidente e vereadora da Cultura, Liliana Pimentel; à família de Manuel Filipe, na presença de um dos seus filhos, o arquiteto Luís Filipe, e a João Archer de Carvalho, pelo estudo vertido no livro que complementou a inauguração da exposição. Liliana Pimentel, por seu turno, destacou a presente exposição como resultado de uma “parceria de ouro”, que dá a conhecer um dos expoentes culturais de Condeixa, promovendo o próprio município, enquanto Luís Filipe sublinhou que o evento permite continuar a cumprir um dos desígnios do seu pai, que sempre foi avesso à venda dos seus quadros, pugnando, ao invés, pela sua exibição em locais públicos, no entendimento de que a arte é para ser fruída por todos e não para estar confinada às paredes de colecionadores privados.

A visita à exposição, que integra telas provenientes da reserva da família, bem como obras do espólio do MMSR, foi seguida da apresentação do livro “Manuel Filipe e a sua Fase Negra (1942:45) – No contexto do Neo-Realismo Pictórico”, do investigador João Archer de Carvalho, numa alocução do próprio. A influência do seu tempo na sua obra pictórica, com a dureza das condições sociais provocadas pela 2.ª Guerra Mundial e pela Guerra Civil espanhola, foi um dos aspetos destacados pelo investigador, que orientou o olhar dos presentes para a leitura das mensagens, fortemente politizadas, visíveis nas telas da Fase Negra de Manuel Filipe, num tempo em que a «mordaça» do Estado Novo obrigava os artistas a «contornarem os obstáculos» da censura. Defensor e praticante de uma «Arte para o povo e de intervenção social», com «caráter socialista e humanista», Manuel Filipe chegou a expor em Leiria, Coimbra, Porto, Braga e Castelo Branco, afirmando-se nos círculos restritos do mundo artístico e atraindo a atenção da polícia política. Obras suas, bem como de Júlio Pomar e José Chaves (pseudónimo de Mário Dionísio), são apreendidas. 

Professor e, por conseguinte, funcionário do Estado, Manuel Filipe, casado e com filhos, opta por diminuir a sua atividade artística engajada, sem, no entanto, deixar de pintar e de, até ao final da vida, experimentar novas técnicas ao serviço de novas visões do mundo, menos negras, à medida que o mundo muda e Portugal caminha para a democracia. 
Um percurso para ver, apreciar e refletir, no MMSR, até abril de 2018, com entrada livre.


Sobre Manuel Filipe 


Professor, pedagogo, pintor, Manuel Filipe nasceu em Condeixa, em 1908. Aqui completou a instrução primária frequentando, posteriormente, a Escola de Artes e Ofícios, instituída pelo Dr. João Antunes. Ainda na sequência da sua formação, fez, em Coimbra, o curso misto de Ciências, Letras e Belas Artes. Contemporâneo de Fernando Namora, a sua obra – sobretudo a da década de 40 – foi profundamente influenciada pelo movimento neorrealista, denunciando abertamente contradições de natureza socioeconómica e revelando, consequentemente, um artista criticamente posicionado. Manuel Filipe realizou várias exposições individuais, que lhe valeram alguns prémios, e emprestou a sua valiosa colaboração a diversas outras, coletivas. A sua obra está representada em dezoito museus do país, incluindo o MMSR.





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