8 de outubro de 2017

Cinquenta jovens atletas entre duas Navais




DESPORTO

«Por estes dias, o futebol na Figueira da Foz é tudo menos pacífico. O anúncio por parte da Naval 1º de Maio de que não teria condições para manter as equipas de formação (que iam participar nos Nacionais de iniciados, juvenis e juniores), juntamente com os primeiros passos da Naval 1893 (novo clube que surgiu na sequência dos problemas que há muito a Naval 1º de Maio vinha passando), fez estalar o verniz entre as duas coletividades, levando a que meia centena de atletas ficasse impedida de jogar neste início de temporada.

Marco Figueiredo, coordenador técnico da Naval 1893 e que também fazia parte da comissão administrativa da Naval 1º de Maio, aponta o dedo a Aprígio Santos. "A Naval não liberta os jogadores por vingança. Prometeram que seriam libertados, mas nada disso aconteceu. Agora ficarão sem jogar, sem terem culpa nenhuma. Estão a pagar por um clube que é dirigido por telemóvel pelo senhor Aprígio, que é alguém que não quer saber do clube nem dos seus sócios", acusou o dirigente, denunciando uma atuação que define como vergonhosa.

"Nos últimos anos alienou tudo o que a Câmara deu à Naval. O património do clube é constituído pelas camisolas de jogo e por algumas bolas. Nos últimos tempos apareceu um senhor Herculano, que já esteve ligado ao Alcanena e ao E. Amadora, com os resultados que se conhecem, e limitou-se a lançar notícias falsas para a comunicação social. Tudo fraudulento", frisou».

Preocupação à espera da desistência 

«O que mais preocupa a direção da Naval 1893 é a situação dos mais de 50 jogadores que transitaram da Naval 1.º de Maio. Os atletas não só tiveram de lidar com o desalento de ficarem impedidos de jogar nos campeonatos nacionais e terem de disputar as provas distritais, como ainda são obrigados a ficar de fora nestas primeiras jornadas, uma vez que a Naval 1.º de Maio não desistiu dos campeonatos. "Agora só quando fizerem três faltas de comparência é que o problema fica resolvido, o que vai acontecer na próxima quarta-feira. É muito triste serem os jogadores a pagar", sublinhou Marco Figueiredo». 

Vizinhos levam 15 jogadores 

«Com o fim da ‘velhinha’ Naval 1º de Maio – que era a quinta coletividade desportiva mais antiga de todo o país – muitos clubes aproveitaram para reforçar os respetivos plantéis. Da Figueira da Foz saíram até ao momento 15 jogadores tendo como destino clubes como a Académica, o Anadia e o Gouveia. Uma situação que a Naval 1893 lamenta de viva voz. "Infelizmente, os clubes da região aproveitam-se da desgraça alheia quando poderiam ter assumido uma atitude mais positiva e de respeito", defendeu Marco Figueiredo, mostrando-se, ainda assim, otimista em relação ao futuro». 

Vera Azul e um "caso de polícia" 

«Uma visão bem diferente da situação tem Vera Azul. A representante do presidente Aprígio Santos diz que "há, claramente, preocupação pelo facto de os miúdos não estarem a competir", mas denuncia a ação dos dirigentes que estavam na Naval e transitaram agora para a Naval 1893. "A Naval acabou por causa da 1983. Eles disseram que se iam embora e levaram tudo! Há uma providência cautelar porque, obviamente, isto é um caso de polícia", defendeu a dirigente, que admitiu haver "ordens para libertar os jogadores para qualquer clube, menos para a Naval 1983"». 


Fonte : Jornal Record (versão Online)

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