17 de agosto de 2017

Homenagem ao Professor Idalécio Cação, um herói da Gândara



CULTURA

HOMENAGEM ao professor e escritor reuniu dezenas de amigos, familiares e admiradores do homem e da sua obra, Idalécio Cação, o escritor inconfundível que a Gândara não esquecerá.

Quando, em 28 de Dezembro de 2016, a vida do escritor Idalécio Cação chegou, aos 88 anos, ao fim, sobreviveu-lhe uma vasta obra, composta por contos, crónicas e poesia, e a vitalidade de uma Região da Gândara que muito ajudou a construir, usando a argamassa das palavras na definição de um universo recheado de singularidades.
No passado domingo, 13 de Agosto de 2017, o escritor figueirense foi homenageado numa cerimónia que destacou, na sua terra natal, as suas qualidades humanas e literárias, reunindo largas dezenas de familiares, amigos e admiradores de um homem que, tendo começado por trabalhar nas courelas da Gândara e nos arrozais da Quinta de Fôja, acabaria por licenciar-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, desbravando caminhos no Teatro, no Jornalismo e no Sindicalismo.
Foi com uma romagem ao cemitério de Ribas, em Moinhos da Gândara, que a cerimónia principiou. nAí, Mário Cardoso, amigo de infância de Idalécio Cação, relembrou alguns episódios da relação de amizade que os unia e, assinalada a saudade, foi já na sede da Junta de Freguesia que a atuação do Grupo de Cantares “EmCantos” recordou os presentes da importância de, mais do que lamentar a morte, celebrar a memória de uma vida plenamente vivida. Disso mesmo daria testemunho a filha do escritor, Cristina Cação, que leu um poema inédito do pai, “pessoa íntegra, honesta, justa e leal (...), narrador da Gândara,  das pessoas, dos amigos… de episódios únicos que se perderiam” sem a pena de Idalécio Cação. Também José Silva Cabete, em representação do grupo de amigos do escritor, recordou “o grande gandarês que quis ficar junto do povo que o viu nascer e crescer” e que agora, na biblioteca que ostenta o seu nome, logrará permanecer junto das gerações vindouras.
O Presidente da Junta de Freguesia, Paulo Rodrigues, destacou na sua intervenção o orgulho de Moinhos da Gândara, em contar, na sua História, com este filho da terra, que não apenas quis ser sepultado no cemitério próximo da “Grande Casa”, onde aprendeu a ler, como deixou aos seus conterrâneos um vasto espólio, estando já inventariados, com o apoio dos serviços da Autarquia, quase 3.000 títulos. Para além deste trabalho, a Biblioteca Municipal da Figueira da Foz irá disponibilizar em breve, no seu catálogo online, o acesso ao espólio da Biblioteca Idalécio Cação.
Já na reta final da cerimónia, coube ao Vice Presidente e vereador da Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz (CMFF), António Tavares, saudar a memória do “intelectual que nunca esqueceu as suas raízes e que as soube sacralizar na sua escrita, transmitindo um vasto conjunto de belezas que a sua terra oferece”, um homem que “está muito para além da  homenagem e da memória que fica” e que, por isso, deve agora ser recordado e respeitado “na sua herança literária, pois o homem e a obra estão nela”. António Tavares avançou ainda com a intenção de retomar o prémio literário com o nome de Idalécio Cação.
A cerimónia continuou com a entrega, a Cristina Cação, do voto de louvor a Idalécio Cação aprovado pela Assembleia de Freguesia de Moinhos da Gândara, seguindo-se o descerramento das placas da biblioteca e do largo batizados com o nome do escritor e, ainda, a inauguração do memorial Idalécio Cação, da autoria do escultor Alves André, que assinou também, o desenho de capa do romance póstumo, editado pela CMFF, “O Cerco”, apresentado por João Carlos Cruz e animado, musicalmente, por Manuel Ribeiro, amigo do homenageado.
Sobre o livro, João Carlos Cruz, o amigo a quem Idalécio encomendou, já na fase final da sua vida, a revisão do texto, referiu-se a “O Cerco”, como um romance que é “uma súmula da bibliografia Idaleciana”. O vereador da Cultura concordou, sublinhando que “O Cerco”, inicialmente baptizado de Muralha da China, “é um romance em que perpassa o humor requintado que Idalécio Cação tinha e colocava na sua obra”.
“Idalécio foi um precursor na forma como escreveu. A sua escrita tem um padrão inconfundível. Ao contrário de Alves Redol e Aquilino Ribeiro, Idalécio escreveu não só sobre as suas gentes, mas sobre a sua própria vivência, pois veio de uma família de origens muito humildes e subiu a pulso”, realçou o autarca. O vice presidente recordou, a propósito da singularidade da escrita de Idalécio Cação, o ano em que o escritor concorreu, sob o obrigatório pseudónimo, ao Prémio Literário João Gaspar Simões, com o texto então baptizado de ‘Muralha da China’. Ao fim de poucas páginas lidas, António Tavares confessa que o livro já «tinha mostrado as cuecas» em ele, enquanto,  membro do júri de uma prova que devia ser cega, não tinha como ignorar que autoria do que lia era de Idalécio Cação.
A tarde de homenagem, memória e celebração da vida de Idalécio Cação terminou no Parque da Tapada, onde foi servido, pela Associação Cultural Recreativa e Desportiva da Gândara,  um repasto oferecido por Manuel Cardoso, amigo de infância do escritor.
Registe-se que, para além de largas dezenas de populares, estiveram presentes nesta cerimónia o Presidente da Assembleia Municipal, o Vice-Presidente da CMFF, os presidente da Junta e da Assembleia de Freguesia de Moinhos da Gândara, o pároco local e, entre os muitos amigos de Idalécio Cação,  João Carlos Cruz (também conhecido pelo pseudónimo literário António Canteiro), Silvério Manata, Lurdes Breda, Luís Breda e Rui Crisóstomo.




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