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11 de setembro de 2017

Rodrigo Guedes de Carvalho abriu novo ciclo das 5.as de Leitura



CULTURA


Começou a ler muito novo mas só com «A Servidão Humana», de  Somerset Maugham, aos 14, 15 anos, percebeu que era aquilo que gostaria de, um dia, ser capaz de fazer: escrever de molde a despertar sensações nos outros, sensações tão fortes como as que ele sentira ao ler aquele texto cru, que quase o levara a gritar com as personagens.

Um pouco mais tarde, com «Memória de Elefante», de António Lobo Antunes, compreendeu que havia um mundo para além dos clássicos da biblioteca do avô, que incluíam Virgílio Ferreira, José Cardoso Pires e um ainda iniciado, e inicial, Saramago. «Ah, isto pode fazer-se assim?!», questionou-se o jovem Rodrigo Guedes de Carvalho perante a desagrilhoada escrita de Lobo Antunes. Tinha começado a descobrir a liberdade da literatura, na criação da narrativa e na sua forma, explicou aos muitos leitores que marcaram presença, quinta feira, dia 7 de Setembro de 2017, no Auditório Municipal, para mais uma edição das 5.as de Leitura.

Numa conversa conduzida pelo Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz, António Tavares, Rodrigo Guedes de Carvalho falou, sem tabus, sobre as inseguranças do primeiro livro, «Daqui a Nada» que demorou mais de uma década a decidir editar, em 1992, ganhando de imediato o Prémio Jovens Talentos da ONU, e a pressão para se superar na segunda incursão pelo romance, depois do sucesso da estreia e de muitos anos dedicados, intensa e exclusivamente, a fazer vingar a primeira estação privada de televisão em Portugal. 

É com A Casa Quieta (2005), Mulher em Branco (2006) e Canário (2007), que vai descobrindo e afirmando a sua voz literária, aventurando-se ainda nos argumentos cinematográficos de Coisa Ruim (2006) e Entre os Dedos (2009), e na peça de teatro Os Pés no Arame (estreada em 2002, com nova encenação em 2016).

O romance O Pianista de Hotel (2017), mote para esta sessão das 5.as de Leitura, marca o seu regresso ao mundo da edição. «Mas não pretendo viver só da escrita, nem acredito que tal seja possível em Portugal», explicou a um Auditório Municipal repleto de leitores e admiradores do escritor e comunicador. «Nem quereria… para quê? Quem me garante que, fora do jornalismo, seria melhor escritor?», questionou.


O serão literário, que contou com apontamentos musicais, ao piano, por José Maria Bessone, aluno do Conservatório de Música David de Sousa, terminou com a habitual sessão de autógrafos e o convívio entre autor e leitores, acompanhado de chá de limonete.


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