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24 de dezembro de 2018

História da Árvore de Natal




O surgimento da árvore de Natal está ligado às crenças dos povos pagãos do norte da Europa, principalmente à celebração do Solstício de Inverno,  que era considerada a noite mais longa do ano. Para os antigos pagãos, o Solstício de Inverno era uma homenagem do homem à natureza adormecida. Na noite mais longa do ano, eram feitas ofertas aos deuses para que o sol voltasse depressa, e com ele a primavera. Mas apesar do frio e da neve, algumas árvores e plantas permaneciam verdes e eram um símbolo de esperança num inverno longo e rigoroso. Insensíveis ao frio, eram um testemunho de que o inverno acabaria por passar e que a natureza voltaria a nascer na primavera. Perto do solstício, os antigos pagãos costumavam decorar as casas com ramagens dessas árvores e plantas, conhecidas por “evergreen” ou “sempre verde”. Era uma forma de trazer um pouco da natureza para dentro de casa. Em alguns países, acreditava-se que o “sempre verde” afastava os espíritos maus e as doenças. 



Alguns autores referem que o “sempre verde” era também usado pelos antigos egípcios, chineses e hebreus como símbolo da vida eterna. Alguns autores referem que os nórdicos, nomeadamente os islandeses, costumavam plantar um abeto em frente à casa, que era depois decorado com velas e fitas coloridas. Os gauleses acreditavam que o deus Gargan deixava uma árvore verde durante todo o inverno, que simbolizava a vida. Na altura do solstício, tinham como costume decorar um abeto com tudo o que faltava durante o inverno — moedas, alimentos ou até brinquedos para as crianças. Durante vários séculos, o corte de árvores durante o Natal foi proibido por ser associado a costumes pagãos mas, apesar disso, a tradição nunca morreu. A partir do século XVI, começaram a surgir os primeiros decretos que permitiam o corte de árvores. O primeiro parece ter sido publicado na região da Alsácia, em Sélestat, onde em 1521 foi autorizado o corte de pequenos abetos para a festa de Natal. Em Estrasburgo, um édito semelhante foi publicado em 1539. A tradição propagou-se rapidamente pela região da atual Alemanha, principalmente por intermédio de comerciantes. 

Na verdade, acredita-se que terá sido nessa mesma região que terão nascido muitas das tradições natalícias que persistem até aos dias de hoje. Para além de árvores decoradas, era também usual construírem-se pirâmides com troncos de madeira, que eram depois decoradas com “sempre verde” ou com velas. Acredita-se que tenha sido Martinho Lutero, o reformista protestante do século XVI, a começar a tradição de colocar velas na árvore de Natal. Diz a história que, numa noite de inverno, enquanto passeava pela floresta, Martinho reparou num pequeno grupo de árvores. Os seus ramos, cobertos de neve, brilhavam ao luar. De modo a reproduzir a beleza do momento, colocou uma árvore dentro de casa e decorou-a com velas. O costume foi-se tornando cada vez mais popular ao longo do século XVIII e no século XIX começou a ser adotado pela nobreza europeia. Em 1846, a rainha Vitória foi retratada no jornal Illustrated Londons News com os filhos perto de uma árvore de Natal. A popularidade da rainha ajudou a propagar a tradição, não só na Grã-Bretanha, mas também um pouco por todo o mundo. O costume de enfeitar árvores é mais antigo que o próprio Natal. 

Já antes de Cristo praticamente todas as culturas e religiões pagãs usavam enfeites em árvores para celebrarem a fertilidade da natureza. Os romanos adornavam as árvores em honra de Saturno, que era o seu Deus da agricultura. No Egipto era hábito, no solstício de Inverno, trazerem ramos verdes para dentro das suas casas, como forma de celebrarem a vitória da vida sobre a morte. Os druidas Celtas, em épocas festivas, decoravam os carvalhos com maçãs douradas. Os primeiros registos da adopção da árvore de Natal pelo cristianismo surgem do norte da Europa no começo do século XVI, embora tudo indique que por essa altura já era uma tradição vinda da época medieval, pois há registos de “Árvores de Natal” na Lituânia cerca do ano de 1510. No antigo calendário cristão, o dia 24 de Dezembro era dedicado a Adão e Eva e a sua história costumava ser encenada nas igrejas. Como representação do paraíso era usada uma árvore carregada de frutos. 

 Os cristãos ganharam então o hábito de montarem essa alegoria em suas casas com árvores que, com o passar dos tempos, foram ficando cada vez mais decoradas: as estrelas simbolizando a Estrela de Belém, as velas simbolizando a luz de Cristo e as rosas em homenagem à Virgem Maria. Durante os séculos XVII e XVIII este hábito tornou-se tão popular entre os povos germânicos, que estes atribuíram a criação da árvore de Natal aMartinho Lutero, fundador do protestantismo. Reza a lenda germânica que Lutero ao passear durante uma noite limpa pela floresta, observou o efeito das estrelas no topo das árvores e trouxe essa imagem para a sua família na forma de uma árvore com uma estrela no topo e decorada com velas. Mas foi só durante o século XIX que a árvore de Natal se começou a difundir pelo resto do mundo, muito graças à contribuição da monarquia britânica. O príncipe Alberto, o marido de origem alemã da rainha Vitória, montou uma Árvore de Natal no palácio real britânico. Foi então tirada uma fotografia da família real junto à árvore, fotografia essa que foi publicada na revista “Illustrated London News”, no Natal de 1846.


FONTE: eusemfronteiras.com

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