Bem-Vindo à Foz ao Minuto, líder de audiências na Figueira da Foz

FotografiaLDA

FotografiaLDA

18 de fevereiro de 2018

«Um caminho feito de palavras» nas 5as. de Leitura com Francisco Moita Flores



CULTURA




Francisco Moita Flores, autor de obras que já ascenderam à categoria de clássicos da literatura portuguesa como «Mataram o Sidónio!», investigador e antigo inspector da Polícia Judiciária, foi o convidado da mais recente sessão das 5.as de Leitura, realizada a 15 de Fevereiro de 2018, no Auditório Municipal.



Num serão literário conduzido pelo Vereador da Educação, Nuno Gonçalves, a quem coube também a apresentação do escritor «com uma vida de uma riqueza incomum», Moita Flores deu uma lição de História especial. «Gosto de ir à História invisível, a que não é ensinada nas escolas, não é discutida, não é contada», explicou, antes de falar sobre D. Manuel II, o «puto de 18 anos, sem preocupações políticas porque, sendo segundo filho, não era provável que viesse a ocupar o trono; o miúdo que queria ir para a Escola Naval e que viu a sua vida desgraçada ao tornar-se, por paradoxo que pareça, rei, depois de ter visto morrer o seu pai, D. Carlos, e o irmão, D. Luís Filipe», primeiro na linha de sucessão da Dinastia de Bragança. É a ‘história invisível’ desse jovem, que se vê obrigado a procurar noiva e a assumir um reino período de convulsões, que Moita Flores conta em «O Mensageiro do Rei», livro que marca trinta e cinco anos de carreira literária do autor. «Ao longo deste meu caminho feito de palavras escrevi 21 romances, 22 séries de televisão, três telenovelas, nove filmes e oito peças de teatro», elencou. 

«Quis, neste livro, juntar tudo isso: o romance, o ritmo das gravações, os diálogos teatralizados», resumiu. «A história é sempre a mesma, claro, a do romance entre D. Manuel II e a atriz francesa Gaby Desly, a deusa que a República, de França, lhe deu, depois da monarquia inglesa lhe ter negado a princesa que estava destinada ao seu irmão», contou. A propósito deste episódio, Moita Flores partilhou com os presentes a sua leitura da chegada da I República. «Não foi uma revolução, foi um piparote. 

A História também se faz de acasos e, no nosso, a Monarquia caiu porque o povo pensou que se rendia quando, afinal, quem se rendia era o Embaixador alemão, que queria afastar-se daquela confusão e apareceu agitando um lenço branco», sublinhou. Mas nem todas as datas históricas são fruto de equívocos e Moita Flores não escondeu a indignação perante a abolição, temporária, do feriado de 1 de Dezembro. «Não fosse o 1 de Dezembro de 1640 e a nossa língua seria como o basco ou o galego. Mas é, hoje, a maior riqueza que entregámos ao mundo, pois não há um único fuso horário onde não se diga ‘amo-te’ ou ‘tenho saudades tuas’», frisou, considerando que «quiseram assassinar o momento libertador da Língua Portuguesa». 

Para a continuar a honrar, Moita Flores revelou que já está a trabalhar num novo livro, o seu primeiro romance policial, passado noutro momento determinante da vida do país, o ano de 1937. «Tem-me dado água pela barba», confessou.
A dias de completar 65 anos, Moita Flores assumiu-se como um escritor e um homem realizado. «Se fechar os olhos, não tenham pena de mim. Como o Gabriel Garcia Marques, confesso que vivi. Vivi amores, paixões, tudo intensamente e com olhos de ver, de olhar para as coisas e de gostar delas e das mais de mil personagens que me habitaram até agora», concluiu.

A sessão das 5as de Leitura, que contaram com a catuação de Ana Carina Sousa, aluna do Conservatório de Música David de Sousa, em flauta transversal, terminaram com a habitual sessão de autógrafos e um convívio intimista entre escritor e leitores, à volta de chá de limonete.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Direitos de autor

Todo o conteúdo deste site encontra-se protegido por direitos de autor. Não é autorizada a cópia permanente, no todo ou parte, e por qualquer forma, do conteúdo deste site, nem a colocação de links para este site em outros sites, sem o consentimento prévio escrito da Foz ao Minuto.

O utilizador não está autorizado a transmitir, distribuir, publicar, modificar, vender ou utilizar por qualquer forma a informação, incluindo imagens, contida neste site.

A prática de plágio é considerada crime, segundo a lei portuguesa.

A Foz ao Minuto encontra-se registada na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) com o número de registo 126961, e encontra-se apta para as suas funções.


Anuncie AQUI

Principais destaques da semana

Copyright © Foz ao Minuto