Crónica de Tiago Ferreira: «Partir do início»





Crónica de Tiago Ferreira: Partir do início


Depois de discursar amanhã, Rui Rio, tem a obrigação de definir um caminho ambicioso para o PSD. A obrigação do novo líder dos sociais-democratas é a de criar um discurso claro, firme e sem rodeios. Não pode dizer que o seu objetivo é retirar o PCP e o BE da esfera do poder. Se esse for o seu discurso, será derrotado porque o eleitorado acabará por escolher António Costa que há muito tem feito apelos por uma maioria absoluta. Deve assumir os erros da governação de Passos Coelho e não renunciar a debater esse período. Também não pode dizer que vai perder as próximas eleições legislativas, sob pena de externamente se apresentar como um líder fraco.

Internamente, a tarefa de unir o partido não será nada fácil. A escolha de Fernando Negrão vai causar uma fractura no seio do Grupo Parlamentar, muito parecida com a que se verificou a quando das Opções Inadiáveis. Negrão, que foi o Presidente da Comissão Parlamentar ao Banco Espírito Santo, não cria unanimidade no meio de um grupo de deputados que foi escolhido por Passos Coelho e é controlado por Luís Montenegro. A juntar a isto, há um grupo de “barões”, encabeçados por Miguel Relvas, que pretende queimar Rui Rio.

No meio disto tudo, António Costa sorri da janela. Todos os indicadores económicos são positivos e dão garantias que poderá almejar uma vitória confortável em 2019. A coligação CDU/SPD/CSU, pode vir a criar condições para mudar o rumo das políticas financeiras europeias e isso tenderá a ser um suplemento para o que resta da legislatura.

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