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25 de outubro de 2017

Pesca da sardinha vai ser interditada em zonas do Norte e Centro de Portugal

PESCA
«A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, anunciou que a pesca da sardinha será proibida em zonas da região Centro e Norte, por serem «áreas importantes para a reprodução da espécie».
«Existem várias propostas em cima da mesa, maioritariamente na região Centro, também existe alguma coisa no Norte. Mas é Norte e região Centro [as áreas para onde se equacionam a proibição de pesca da sardinha]”, disse a governante , sublinhando estarem as zonas a serem delimitadas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e pelos pescadores.
No dia 20 de Outubro, o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) recomendou a suspensão da pesca da sardinha, em Portugal e Espanha, em 2018. Porém, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, adiantou, na altura, que o Governo ia propor que os limites de captura se fixassem entre 13,5 e 14 mil toneladas.
A ministra disse ainda que tem que ser garantido um ponto de equilíbrio entre a sustentabilidade do ‘stock’ e das comunidades piscatórias e acrescentou que foi estabelecido um pacote de medidas, no qual se encontra o Projecto Sardinha 2020, de modo a acatar as recomendações do ICES.

Armadores incitam Governo a acertar medidas com Espanha 

A Associação das Organizações de Produtores da Pesca (ANOP) do Cerco desafiou hoje o Governo a concertar-se primeiro com Espanha numa estratégia conjunta para a sardinha, em vez de proibir a pesca nas zonas Norte e Centro do País.
Não faz sentido estar à partida a aprovar medidas excepcionais em Portugal sem haver uma coordenação com Espanha. Não queremos que sejam apenas os pescadores portugueses a sofrer as consequências ou ter maiores restrições que os espanhóis",afirmou Humberto Jorge, presidente da Organização de Produtores do Centro e da ANOP Cerco, que representa as embarcações nacionais que capturam sardinha.
O dirigente remeteu uma posição oficial de todas as organizações de pesca do país para depois de uma reunião que vão ter na quinta-feira.
Para Humberto Jorge, a coordenação de uma estratégia com Espanha "pode ser mais eficaz, se as medidas forem comuns e se forem postas em prática na mesma altura, do que estar à partida a definir uma área e um prazo temporal para essa proibição, tendo em conta a dinâmica que o recurso tem apresentado nos últimos anos".
O sector da pesca do Cerco reiterou que se mantém disponível para chegar a um entendimento e a soluções, entre as quais a adopção de uma das várias hipóteses de captura, até 24.650 toneladas, apontadas pelo próprio Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES), no parecer divulgado a 20 de outubro.
O presidente da OP Centro e da ANOP Cerco explicou que a intenção do Governo de proibir a pesca da sardinha nas zonas Norte e Centro do país em 2018 já tinha sido apresentada aos parceiros na última reunião da comissão de acompanhamento da sardinha.
"À partida o sector não está muito favorável" a essa decisão, disse, defendendo em contrapartida "proibições em tempo real", nas áreas onde fossem detectados juvenis durante o tempo que fosse necessário", se a intenção é proteger os juvenis.

O plano do IPMA

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera pretende avançar com um projeto para determinar taxas de mortalidade, de crescimento e de reprodução da sardinha, em função da alteração das variáveis ambientais.
Trata-se do projecto Sardinha 2020 - Abordagem Ecossistémica para a gestão da pesca da sardinha, desenvolvido pelo IPMA, tendo com objectivo identificar a distribuição, abundância e recrutamento dos peixes pelágicos (sardinha, biqueirão e a cavala), segundo foi possível apurar.
De acordo com a mesma fonte, o projecto, que aguarda aprovação da Autoridade de Gestão Estrutura de Missão para o Mar 2020, “pretende determinar taxas de mortalidade, de crescimento e de reprodução da sardinha, em função da alteração das variáveis ambientais”.
As variáveis em causa serão “constrangidas através de experiências em cativeiro, tanques e jaulas oceânicas, monitorizando a subsequente libertação no mar”, explicou.
O projecto Sardinha 2020 quer também desenvolver modelos do ecossistema para avaliar o impacto das relações inter-específicas e da pesca na dinâmica conjunta dos ‘stocks’ de peixes pelágicos.
“Por último, prevê caracterizar as componentes sociais, económicas e biológicas da pesca do cerco e da indústria conserveira e avaliar a interacção e influência mútua entre as várias componentes”, segundo o IPMA».
Fonte: TVI24

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