8 de outubro de 2017

Crónica de Tiago Ferreira: Outubro quente


Crónica de Tiago Ferreira: Outubro Quente

Como havia, evidenciado na minha última análise política, as eleições autárquicas iriam causar enormes danos ao PSD, nomeadamente a Pedro Passos Coelho. A demissão deste último, abriu um novo ciclo, que passará inevitavelmente pela luta pela liderança do partido.

No momento em que escreve estas linhas, são dois os nomes falados para esta disputa: Rui Rio e Santana Lopes. O primeiro já está no terreno: possui uma equipa de assessoria e já se reuniu com os denominados “barões”. O ex-autarca do Porto sempre se pautou por ser um forte crítico do sistema judicial e dos órgãos de comunicação social. 

Também não é segredo nenhum que Rio, durante os doze anos que esteve à frente dos destinos do Porto patenteou um registo autoritário. Santana Lopes, é o político das “chamadas sete vidas”. Adora um bom combate e nunca teve medo de perder, sendo exemplo disso as derrotas em 2005 para José Sócrates e em 2009 para António Costa. A sua hesitação, perante o convite para ser candidato à presidência da Câmara de Lisboa, pode ser uma forte desvantagem. Por outro lado, o seu longo mandato à frente da Misericórdia de Lisboa pode vir a favorecê-lo. Resta saber para que lado é que pendem os Gonçalves e Costas desta vida para saber quem vence.

Quem irá aproveitar a embalagem do bom resultado alcançado em Lisboa e esta crise é o CDS/PP. Posso estar enganado, mas a probabilidade dos centristas se coligarem ao PS a seguir às legislativas de 2019 é muito forte.
Quanto aos partidos de esquerda, o orçamento irá ser aprovado, sem qualquer problema, mas o PCP face à derrota nas autárquicas vai endurecer as críticas à governação de António Costa. Este último, se for um pouco esperto depois da aprovação do orçamento, e face à confusão que o PSD vive, pede a demissão e pode ser que ganhe as eleições com maioria absoluta.

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