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17 de outubro de 2017

Crónica de Carlos Pinto: De quem é a culpa dos incêndios?



CRÓNICA DE OPINIÃO
por Carlos Pinto

Ao longo deste ano, tem sido questionado quase de forma incessante a acção do governo central no combate aos incêndios. Quantas vezes ouvimos nesta “Época de Incêndios”, que o estado central, tem que limpar melhor as matas, ter mais sapadores florestais, mais meios aéreos, mais meios de vigilância, e regular por uma vez a floresta. Contundo, há um silencioso ensurdecedor por parte das autarquias a meu ver, tendo em conta o quase fatalismo a que apregoam…

Contudo “governo local” na figura das Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, comunidades inter-municipais a meu ver não são assim tão impotentes. Elas dispõem de fundos próprios e autonomia para decidir o que fazer com esses. Para além disso dispõem de diversos mecanismos de organização territorial, e de protecção civil. Por isso convém perguntar aos Senhores Autarcas porque continuamos a ver :

  • Os bombeiros dos vossos concelhos sem meios, sem formação e sem proteções;
  • A falta de estradas para o combate a incêndios ou a manutenção das mesmas;
  • Bermas por limpar e/ou a falta de zonas de corta-fogo;
  • A inexistência de equipas de sapadores florestais nos seus concelhos; 
  • A inexistência de equipas de vigilância municipais;
  • O que falhou nos PDM, entre outros mecanismos, para existir tanta casa isolada e/ou em zona de elevado risco de incêndios;
  • O que falhou nos vossos Planos de Emergência Municipal;


Antes de começar a apontar culpas ao governo central, que ta sentado em Lisboa, convinha que respondessem, visto que vocês dispõem de um conhecimento do terreno ao longo do ano.

Em jeito de exemplo, houve um autarca lunático, que decidiu que o seu concelho devia ser dotado de sapadores florestais, vigilantes municipais, de um meio aéreo próprio, bem como o reequipamento dos corpos de bombeiros. Outros decidiram dotar as suas populações locais isoladas, de meios de limpeza de matas e de combate aos incêndios, bem como formação para os mesmos, em vez de cruzarem os braços e esperarem pelo melhor. Estes mesmos concelhos não conseguiram erradicar os incêndios dos seus concelhos, mas conseguiram mitigar os efeitos dos mesmos, ao não esperar por meios e/ou soluções nacionais. 

Por isso me pergunto, senhores autarcas, o que podiam ter feito e o que iram fazer para não voltar a acontecer estas tragédias. 

Por fim, gostaria de afirmar que o estado central tem com certeza muitas “culpas no cartório”, mas não podemos descurar a frente local, quando analisamos estas calamidades. 



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