31 de agosto de 2017

História da Freguesia da Marinha das Ondas



HISTÓRIA

«A Freguesia de Marinha das Ondas pertence ao Concelho da Figueira da Foz, de cuja sede dista cerca de 15 quilómetros, no distrito de Coimbra. O seu orago é Nossa Senhora das Ondas, celebrada anualmente no último Domingo de Janeiro; para além desta, existem muitas outras romarias realizadas na Freguesia ao longo de todo o ano. O topónimo Marinha das Ondas deve o seu primeiro elemento, ao fato de na área da Freguesia terem existido marinhas de sal; já o segundo elemento, remete-nos para uma lenda, segundo a qual, um homem, durante a sua faina, terá visto Nossa Senhora das Ondas».

O grande impulso do povoamento e da agricultura do actual território de Marinha das Ondas deve-se aos frades do Mosteiro de Seiça que "senhoreou" parte da actual freguesia (a Norte da E. N. 109). O documento mais antigo que refere o couto de Seiça data de 1175, no qual D. Afonso Henriques faz uma doação do Couto da barra, ao Mosteiro de Seiça, que havia sido fundado em 1175. 

Ainda o cenóbio não estava concluído e era já habitado por monges da Ordem de S. Bento; posteriormente, no reinado de D. Dinis, o Mosteiro de Seiça recebeu "carta de privilégio", que isentava os seus moradores de pagar a portagem pela barca que transportava madeira e linho de Seiça até Coimbra. 

A outra parte da actual Freguesia de Marinha das Ondas (a Poente da E. N. 109), pertenceu ao couto de Lavos. o primeiro documento conhecido referente a Lavos é um testamento de 1906, no qual o Abade Pedro, que foi encarregado por D. Sesnando a restaurar as terras então desvastadas pelas guerras da reconquista, doa Lavos à Sé de Coimbra. Depois da morte deste abade, no ano 1100, a região de Lavos foi assolada pelos serracenos, com guerras e incursões ao território inimigo que em muito contribuíram para o escassear o povoamento do seu território; o repovoamento, segundo parece, só veio a acontecer depois da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, em 1147, e do qual se encarregou o bispo de Coimbra, João Anaia. 

A povoação de Lavos foi coutada e doada por D. Afonso Henriques ao Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra, fato confirmado por uma carta, datada do mês de Dezembro de 1166. Posteriormente, a 11 de Janeiro de 1217, Lavos teve foral de D. Afonso II, e nele a povoação conta com a designação de "Lavos da Marinha", cujos limites também referenciados, eram: a Igreja de S. Julião, junto à foz do Mondego e a herdade de "Lavalos", que corresponde à "Vila de Lavaos". Lavos tornou-se numa vila próspera, à qual D. Manuel I, a 20 de Dezembro de 1519, atribuiu Foral Novo. 

Administrativamente, Lavos pertenceu ao distrito de Montemor-o-Velho, porém, quando a 12 de Março de 1771, D. José I cria a comarca da Figueira da Foz, Lavos separou-se de Montemor-o-Velho, sendo elevada a Concelho e passando a integrar a comarca de Soure. Alguns anos depois, em 1808, toda a região da Figueira da Foz foi assolada pelas Invasões Francesas, vindo a 1 de Agosto daquele ano, a desembarcar a sul do Rio Mondego, mais propriamente nas areias de Lavos, as tropas inglesas do General Wellesley, com o propósito de ajudarem a expulsar os invasores. 

Em 1853, o Concelho de Lavos foi extinto e a Freguesia volta de novo à comarca da Figueira da Foz. Só a 23 de Março de 1928, por Decreto n.º 15 223, foi criada a Freguesia de Marinha das Ondas, por desanexação das Freguesias de Lavos e de Paião. No eclesiástico, Lavos, logo também o território da actual Freguesia de Marinha das Ondas, foi um priorado da apresentação alternativa do pontífice, do rei, do bispo e do cabido da Sé de Coimbra; depois passou a ser da apresentação do ordinário e de concurso. Já como Freguesia independente, a paróquia de Marinha das Ondas foi constituída por Decreto da Câmara Eclesiástica de Coimbra, de 10 de Abril de 1958. 

No aspecto patrimonial, merecem especial destaque, na Freguesia, a Capela  de Nossa Senhora das Ondasque serviu de sede para a criação da paróquia até que fosse construído o novo templo, a actual Igreja paroquial, que foi benzida e inaugurada em 1961. 

A Praia da Leirosa é outro dos locais de grande interesse turístico; nesta povoação, antigamente designada apenas por Leirosa, a pesca limitava-se ao lançamento de redes meijoeiras, por gentes que vinham do interior e que construíam na praia pequenas cabanas de estorno, onde ficavam na época das pescas. 

Progressivamente, as cabanas começaram a ser substituídas por pequenas casas de madeira, e mais tarde por casas de tijolo e betão. O típico barco de pesca utilizado nestas praias é chamado de saveiro ou meia-lua, e tem uma estrutura funcional apta a suportar a rebentação habitual deste tipo de praias desabrigadas. A nível económico, a pesca e a agricultura são as actividades mais tradicionais da Freguesia e têm ainda um grande valor económico; a indústria, embora seja uma actividade mais recente, implantou-se na freguesia ocupando actualmente uma considerável percentagem de habitantes».


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