24 de agosto de 2017

Conhece a história da freguesia de Moinhos da Gândara?



HISTÓRIA

A Freguesia de Moinhos da Gândara, no Concelho da Figueira da Foz, foi constituída como tal em 20 de Junho de 1997, por desanexação da vizinha Freguesia das Alhadas, e tem actualmente cerca de 10,74 km² de área e 1 300 habitantes, mas a sua história é muito mais remota.

Origem do nome: Moinhos da Gândara


«O nome de Moinhos da Gândara pretende fazer recordar os moinhos de água e vento que existiam nesta zona desde os princípios do século XIX, com a ajuda dos quais as pessoas fabricavam o seu próprio pão».

Breve História dos Moinhos da Gândara


É extremamente difícil de concluir com exactidão histórica quanto aos princípios da região onde a freguesia se insere. Porém, poderemos apontar como marcos históricos importantes a gestão e a dependência dos povos desta zona geográfica da Quinta de Foja, situada na freguesia de Santana, a cerca de 8 Km de distância.
Aí imperaram durante séculos os denominados frades crúzios, pertencentes a uma conhecida ordem religiosa sediada no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que geriam e administravam não só a Quinta do Foja, onde iniciaram a cultura do arroz, como toda esta região. Para isso, tomavam os Povos Vizinhos seus serviçais a troco de pequena soldada. As propriedades de toda a região eram dessa Ordem Religiosa, o que obrigava os habitantes dos povoados a pagarem a renda pelo amanho das terras.
Como pontos de referência desta gestão, temos ainda hoje algumas reminiscências, casos da Casa da Renda, situada no lugar e freguesia de Alhadas, e nome da povoação onde se situa a sede da Junta de Freguesia, Quinta dos Vigários.
Hoje, devido à constante fertilização dos solos e sistemas inovadores de rega, a terra é farta não o tendo sido em princípios deste século e até à década de sessenta, pelo que os indivíduos desta zona geográfica davam origem a cursos migratórios, primeiro para o Brasil, depois para a Comporta e Ribatejo, e na década de sessenta para os países europeus, nomeadamente França, Luxemburgo e Alemanha.

Motivos para separação das Alhadas e criação de uma nova freguesia

O facto de estar distante das Alhadas (antiga sede de freguesia) e isolada por pinhais, levou a população a reivindicar uma freguesia. A intenção de Criação desta Freguesia tem origem ainda antes de 1988, com as viagens sucessivas à sede do Partido Socialista da Figueira da Foz, procurando apoios e esclarecimentos sobre o modo de elaboração do Projecto.
Um primeiro projecto haveria de ser elaborado e daria entrada na Assembleia de Freguesia para votação em 09 de Junho de 1988. Mas nesta altura teve apenas dois votos favoráveis (José Augusto Simões Oliveira e Prof. Filipe Vaz (PRD). Seguiram-se mais alguns projectos, mas que nunca chegaram à votação na Assembleia da República.
 Após o Acto Eleitoral de 1993 (Autárquicas) teve lugar uma primeira reunião em casa do Sr. Jorge Cabete Oliveira, na Quinta dos Vigários, aos 22 de Janeiro de 1994, com a presença dos Srs. Manuel Oliveira Ferreira, José Augusto Simões Oliveira, José Manuel Oliveira Heleno, Jorge Manuel Cabete Oliveira, José António Matos Lopes, José Figueiredo Curto e António Azenha Gomes. 

Desta reunião nasceu a Comissão Promotora constituída pelos seguintes elementos: Manuel Oliveira Ferreira, José Augusto Simões Oliveira, José Manuel Oliveira Heleno, Jorge Manuel Cabete Oliveira, José António Matos Lopes, José Figueiredo Curto, Albano Gonçalves Lé, Carlos Alberto Silva Ferreira e José Augusto Azenha Eulálio. 

Depois de muitas reuniões tidas com e sem a presença do Dr. Paulo Pereira Coelho, o Projecto viria a dar entrada na Assembleia da República em 31 de Janeiro de 1994, sob o número 373/6 e de seu nome “Junta de Freguesia da Gândara”, nome este que viria a ser alterado para “Moinhos da Gândara”, face a um artigo redigido pelo Dr. Idalécio Cação no Jornal “O FIGUEIRENSE” de 13 de Maio de 1994. Com as Eleições de 1995, muda o Governo e consequentemente o Projecto teve que ser renovado pelo Dr. Paulo Pereira Coelho que não baixou os braços, Projecto lei Nr.33/VII (PPD/PSD).

Apesar de nunca ter tido um apoio expresso por parte do Partido Socialista, este projecto viria a ser aprovado por unanimidade em 7 de Maio de 1997 pela Câmara Municipal, também por unanimidade pela Assembleia Municipal em 16 de Maio de 1997 e em Assembleia de Freguesia de Alhadas por maioria em 19 de Maio de 1997. 

A conclusão deste projecto viria a culminar com a aprovação pela Assembleia da República em 20 Junho de 1997, dia este que ficará marcado nas nossas memórias como um dia Histórico dos mais importantes para a nossa Terra. A publicação em Diário da República ocorreu em 12 de Julho de 1997 sobe a Lei n.º 25/97 “Criação da Freguesia de Moinhos da Gândara, no Concelho da Figueira da Foz”.


E o que são terras da Gândara?


Gândara é uma palavra que na toponímia portuguesa se aplica a « qualquer porção de terreno arenoso, inculto e geralmente plano ou pouco relevado ».

A região gandaresa estende-se no sentido norte-sul desde as Gafanhas da ria de Aveiro até aos campos do Baixo Mondego; a nascente confina com as terras da Bairrada e a poente com as dunas do litoral. É esta vasta sub-região de terrenos arenosos que, aqui e além apresenta alguns afloramentos isolados de calcários ou margas, que pretendemos dar-vos a conhecer. Destas terras agrestes e inóspitas, sempre se falou realçando a sua pobreza contrastante com os campos do Mondego e da Bairrada, onde os solos de grande fertilidade proporcionavam melhores condições de vida. 

Os terrenos de cultivo têm-se obtido à custa de grande esforço dos gandareses que, ao longo dos tempos, têm adubado estas areias com o estrume dos currais, a caruma dos pinheiros e uma ou outra paveia de mato. Assim se foi enriquecendo o solo onde hoje se cultiva uma diversidade de espécies, o que muito foi atenuando as diferenças entre as regiões vizinhas. 

Hoje pratica-se uma ocupação permanente do solo, semeando-se milho de rega, associado ao feijão e à abóbora: estas culturas entram em rotatividade no Outono-Inverno com as forragens e a batata. Os pastos para o gado estão ligados a uma rentável actividade da região – a criação de gado bovino; este, além de ajudar no amanho das terras, produz o precioso leite que dá à região uma importância relativa na produção do sector dos lacticínios.


Grande parte da Gândara está coberta por manchas de pinhal, espécie tão bem integrada neste solo arenoso e que confere à paisagem aquele sentido de « horizonte limitado ». Implantam-se também alguns pomares, olivais e vinhas.

Das influências depressivas deste solo « ingrato » no aspecto físico do gandarês, sempre se fizeram referência em escritos antigos: homens secos de carnes, esguios, rostos amarelecidos, contudo, eram alegres na garridice do trajar e nas danças e cantares com que animavam os arraiais e romarias em redor, a que nunca faltavam.

«Os trabalhos sazonais eram também motivo de folguedo, especialmente os que aconteciam na eira por altura das colheitas dos cereais (o milho, o trigo, ou o pão-macho). Todos estes trabalhos exigiam longos rituais que envolviam grande parte das gentes da aldeia, que assim iam ganhando o pão para o dia-a-dia, ou simplesmente a garantia de braços para o dia da sua safra».




Fonte: Areia de Maria Alice Sarabando e Gisela Simões


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