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13 de julho de 2017

«Vivemos tempos hostis à verdade»: Auditório Municipal da Figueira da Foz recebeu colóquio "Informação na era da pós-verdade



«Vivemos tempos hostis à verdade», afirmou Bruno Paixão

O Auditório Municipal da Figueira da Foz recebeu, no passado dia 11 de Julho, o Colóquio "Informação na era da pós verdade".
Com entrada livre, o evento contou com as participações dos jornalistas Sandra  Felgueiras e José  Manuel Portugal para o debate do tema abordado pelo  investigador e ex jornalista Bruno Paixão, no seu mais recente livro, «Prime Time is my Time – Crónicas sobre comunicação. jornalismo, política e cultura».
A moderação esteve a cargo do Vereador da Cultura do Município da Figueira da Foz, António Tavares. Foi a Bruno Paixão que coube, na introdução, lançar o mote para a conversa sobre as questões da distinção entre a verdade noménica (matéria-prima) e fenoménica (informativa), realçando o peso da perspectiva e da percepção na construção da notícia e apartando esta realidade de outra, bem distinta, que entrou no léxico actual sob o ‘guarda-chuva’ da «Pós-verdade» ou das «Verdades Alternativas».

«Vivemos tempos hostis à verdade», admitiu o investigador, que abordou a influência das novas formas de comunicação, nomeadamente nas redes sociais, na instrumentalização dos factos, quando não na apresentação de mentiras, para esta nova situação, que veio mudar o paradigma da propaganda, tanto nos seus agentes como nos seus custos, difusores ou propósitos.

José Manuel Portugal reforçou a ideia da «pós-verdade como filha do avanço tecnológico», mas reclamou metade da paternidade para o instinto do ser humano que, mais propenso a falar mal do que bem, a acreditar no crime do que na inocência, muito levianamente contribui para a difusão de boatos e mentiras. «O contraditório é outra das vítimas mortais destes tempos de pós-verdade», acrescentou, defendendo o «juízo crítico» e o «fact-checking», ou confirmação dos factos, dos cidadãos como única forma de evitar, para já, a difusão de notícias falsas.

Sandra Felgueiras, por seu turno, falou sobre a importância da sociedade valorizar a credibilização do jornalismo e dos jornalistas, preferindo a substância ao ruído e a investigação, com tempo para o contraditório, ao imediatismo. «Nunca o jornalismo foi tão importante, digno e necessário», concluiu.


O colóquio terminou com um período de debate com a plateia sobre os perigos das pós-verdades e das redes sociais enquanto fonte de ‘notícias’.  


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