26 de maio de 2017

Conversa com TUNA BRUNA



TUNA BRUNA


A Tuna Universitária da Figueira da Foz- BRUNA completa 25 anos no próximo dia 11 de Março de 2018, a Foz ao Minuto foi saber um pouco mais sobre este grupo musical e esteve à conversa com João Freitas, responsável pela comunicação da Tuna.


Começando pelo início, o nome da Tuna é Bruna, porquê o nome de Bruna ?

«O nome da Tuna Bruna resulta em primeiro lugar de uma questão meramente fonética, pode não ser a explicação mais plausível mas inicialmente foi essa. O porquê de Bruna, tem uma componente muito especifica, o mentor da criação de uma Tuna na antiga Universidade Internacional da Figueira da Foz, o Filipe Lázaro, que agora está no Algarve, mas sempre que pode acompanha-nos e ainda faz parte, foi quem escolheu o nome Bruna. Deu-nos a justificação da questão fonética, por Bruna rimar com Tuna, e também devido a um fetiche pessoal que ele tinha com uma figura ligada ao mundo das artes, que se chamava Bruna, mas não vou revelar quem era essa figura, vai ficar em segredo e num misticismo. Na altura fruto da nossa juventude, achou-se interessante, talvez se fosse hoje as coisas fossem diferentes».

Quantos anos tem a Tuna Bruna e há quantos anos o João Freitas está ligado?

«A Tuna tem 24 anos de existência, fará 25 anos no próximo dia 11 de Março de 2018, o que constitui um marco importante. Desses 25 anos, cerca de 17 foram como Tuna Académica da Universidade Internacional da Figueira da Foz. No entanto o grupo era tão coeso que apesar do encerramento da Universidade, achávamos que a Tuna não devia acabar então continuamos como um grupo de amigos, e como uma instituição.

Ressalvar que somos uma Associação devidamente constituída e legalizada desde 2003, e desde 2010 para cá alteramos a denominação da Tuna para: Tuna Universitária da Figueira da Foz. Embora não haja universidade, a Tuna nasceu no seio de uma. Actualmente as portas estão abertas a todos aqueles que queiram fazer parte dela, anteriormente era apenas para os alunos da Universidade Internacional. Agora é para todos aqueles que são estudantes da Figueira da Foz, quer estejam a estudar fora quer sejam de cá, ou também para aqueles que foram estudantes e voltaram à sua cidade, e hoje somos a Tuna Universitária da Figueira da Foz. Eu estou na Tuna desde o primeiro dia, desde a sua fundação».

Por onde a Tuna Universitária da Figueira da Foz tem andado e por onde vão actuar?

«A Tuna teve uma primeira fase, onde era constituída por um grupo de 20 e tal elementos, que foram quem a fundou na década de 90, acompanhando o "boom" das Tunas que começavam a nascer por todo o país nesse período. Nessa altura fazíamos encontros de Tunas e festas populares, correndo todas as freguesias da Figueira da Foz, coisa que agora não fazemos. As pessoas adoravam as tunas e achavam imensa piada.

Depois a Tuna passou por um momento conturbado, que coincidiu com a saída de muitos dos elementos fundadores, que terminaram os seus cursos e foram às suas vidas, e não houve uma preocupação em renovar acabando assim por deixar a Tuna parada durante uns dois ou três anos, parada no sentido de não actuar com tanta regularidade.

Em 2003 apareceu uma nova geração, que se juntou à geração dos mais antigos,e foi nessa altura que foi lançado o CD (Bruna- 10 anos). Desde aí  tem tido um crescimento gradual em termos daquilo que são as perspectivas não só musicais mas também em termos de palcos e cidades que a Tuna pretende ir. Desde 2003 para cá tem sido interessante porque se percorreu Portugal de Norte a Sul, com ilhas inclusive, e também tivemos no México em 2003, e na Holanda duas vezes, em Maastricht, e já se foi mais de 15 vezes em Espanha.

Podemos realçar o Costa Cálida, em Múrcia, onde estivemos o ano passado (2016)  que é um dos festivais mais importantes de todo o mundo, e tivemos a sorte de o ganhar, e a partir daí, a Tuna atingiu um pico de qualidade, passando agora a nossa preocupação por conseguir fazer mais e melhor música, não atender tanto há quantidade de festivais que vamos por ano, não é isso que nos move, mas sim tentar fazer o melhor possível.

Em Agenda vamos no próximo mês (Junho) actuar na Figueira da Foz, na Praça de Touros, no São João, como já é tradicional, acabamos sempre o espectáculo dos desfiles das marchas, e vamos ter uma presença em Castelo Branco em Novembro no FITUCB, e também em Março de 2018 temos o 15.º FITUFF com algumas surpresas.

Em relação ao FITUFF, como é que se começou a organizar este festival que também tem Tunas Internacionais?

Na década de 90 fizemos alguns encontros de Tunas, essencialmente no Casino, não optamos na altura por organizar um festival devido à nossa forma de estar, uma vez que íamos a muitos encontros e realizávamos também um encontro.

Em 2003/2004 ficou no ar a ideia ,de que fazia falta, para a nossa organização, também fazer um festival de tunas, para nos darmos a conhecer um bocadinho mais, a tuna vinha de uma "paragem" e era preciso mostrar-nos ao mundo tunante.

O advento da Internet estava a começar a surgir, estavam aparecer os fóruns, os sites de tunas, e nós realizamos então o primeiro festival que teve lugar no auditório do Museu, o espaço é engraçado na altura serviu os nossos propósitos, era o local ideal.

No ano a seguir o festival estava a crescer e apostamos numa sala melhor e maior, o Teatro Caras Direitas em Buarcos, foi novamente um tremendo sucesso, e esgotaram-se por completo os 400 lugares, com essa adesão do público fomos ter com administração do Casino da Figueira da Foz que é um espaço de excelência não menosprezando o CAE.

Na altura o Festival de Tunas do CAE era organizado pela Imperial Neptuna, e nós achamos que havia ali uma abertura para poder fazer o festival no Casino, em 2006 tivemos uma reunião apresentamos o projecto e desde lá até agora tem se realizado o Festival Internacional de Tunas da Figueira da Foz de forma ininterrupta no Casino Figueira. Sempre com lotações esgotadas, ou algumas perto disso. Uma das características é tentar dar um cariz internacional ao evento, não é que seja obrigatória, já houve anos que não houve tunas estrangeiras, também porque queremos que as tunas que vêm de fora garantam a qualidade que a sala merece, que o público merece e que o festival mereça.

Na última edição deste ano (2017), veio uma Tuna Espanhola da Universidade de Alcalá de Henares, com 45 elementos, o que é raríssimo ver, e foi uma enorme grandiosidade a forma como se apresentaram, sinal que respeitam muito o evento, e também o público que os quer ver.


A Tuna é constituída por portugueses, canta maioritariamente música portuguesa, numa altura em que a música portuguesa está em voga, em geral sente que a música que a Tuna canta é valorizada, e em especial na Figueira da Foz, uma vez que agora não há universidade mas tem uma Tuna, sente que a música é valorizada na própria cidade?

«Em relação há questão da valorização da música portuguesa, ainda estamos com o episódio recente da vitória do Salvador Sobral, uma vitória que já era esperada mas foi inesperada, quem acompanha há vários anos a Eurovisão sabe que os portugueses sentiam-se injustiçados há vários anos, mas foi uma vitória essencialmente da música, da língua e da música como ela deve ser feita, que acima de tudo passe uma mensagem que as pessoas a percebam.

Nós também tentamos fazer isso com a nossa música, temos um misto de canções e originais, e a questão da originalidade nas Tunas pode ser valorizada ou não, nós gostamos de a valorizar. Se tudo for muito bem construído e muito bem feito, tem um impacto, que uma adaptação não terá porque as pessoas já a conhecem. Mas é preciso ter cuidado com o que se faz. Fazer uma adaptação de uma música, carece de cuidados extras, como não a tornar pior do que ela já é, a criação de um original também obedece a determinados requisitos, pois a construção da música obedece não só a sua sonoridade, também há sua letra e há mensagem do que a música transporta.

Aqui na Figueira somos valorizados, provavelmente há pessoas que ainda nos valorizam mais depois da universidade ter fechado há 7 ou 8 anos, e dizem-nos que "é de louvar não deixar morrer aquilo que foi feito". Mas acima de tudo as pessoas que os conhecem respeitam-nos, e os que não nos conhecem ficam a respeitar porque revelamos uma grande dignidade em cima de palco. Se as pessoas gostam da música que fazemos, isso depende do critério de cada pessoa, mas o mais importante é ter dignidade naquilo que se faz e isso a Tuna Bruna consegue ter essa atitude.

Tuna Bruna no TAGV


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